ASCENSÃO SOCIAL FEMININA

Em certa tarde, um homem de meia-idade, por certo  um mercador bem sucedido, pois trajava finas roupas, aproximou-se de um poço com seus dez  camelos para dessedentá-los.Ao mesmo tempo, chegou  uma linda jovem pastora, que, tirando água do poço, enchia um cântaro e saciava a sede de  suas ovelhas. O senhor achegou-se à moça e falou: “Dá-me de beber de seu cântaro!”. A donzela atendeu-o prontamente, derramando água  em  suas mãos.  E fez mais:    “ Vou também dar de beber aos camelos!”.  Tirou água do poço e encheu o bebedouro, onde os camelos mataram a sede. O homem contemplou  atentamente, em silêncio,  a diligência da moça e, agradecido, deu-lhe um pingente e duas pulseiras de couro.

A seguir outro relato, também ocorrido no oriente.  Uma mulher  de pouco mais de 30 anos, solteira, inteiramente coberta com uma burca, segue pela rua devidamente acompanhada. A vestimenta cobre-lhe inteiramente, não sendo possível  ver nem o rosto e nem as suas formas. Se bonita ou feia, jovem ou velha, ninguém pode saber. Não pode montar seu próprio comércio. Não lhe é  permitido viajar desacompanhada, nem deixar seu país em busca de outro destino. Como já está com mais de 30 anos, ainda sem casar, é  considerada velha pelos padrões do meio social em que vive. Restou-lhe ficar como agregada na casa do irmão mais velho, o chefe da família, como uma serviçal, sem qualquer direito. Não tem esperança  de um futuro melhor, nem qualquer  perspectiva de felicidade.

Analisando os dois casos,  qualquer um dirá: “ A primeira jovem  pertence, com certeza, aos dias atuais, pois estava com o rosto descoberto, aparecendo assim sua beleza. Só uma mulher moderna e inteligente perceberia que o proprietário dos camelos parecia ter riqueza e, se simplesmente cobrasse para saciar a sede dos animais, não receberia muito. Mas, tratando-o educadamente e, com diligência, enchendo os bebedouros com seu cântaro até saciar os animais, criaria a possibilidade de ser recompensada com uma maior gratificação. E isso aconteceu, pois o homem pagou-lhe generosamente com  joias valiosas.

Quanto à outra mulher coberta dos pés à cabeça, vivendo como uma escrava, por certo viveu em tempos remotos, quando a mulher não tinha qualquer direito, exceto o de manter-se calada.

Por incrível que possa parecer, a linda donzela viveu há 3.650 anos. Chamava-se Rebeca, tendo casado com Isaac, filho de Abraão. Foi, com sua genética, uma das mulheres que contribuíram para a formação do povo judeu.

Já a mulher sem quaisquer direitos, coberta dos pés à cabeça, é contemporânea, vivendo  atualmente no Afeganistão, sob a influência  do Islamismo. Chama-se Leila. Sua vida foi descrita em “O Livreiro de Cabul”, livro de autoria de Asne Seierstad, jornalista norueguesa, que viveu uma temporada no lar do livreiro Shad Mohammad  Rais, cognominado de  Sultan Khan no livro. No período de três meses  que residiu com a família do livreiro,   coletou dados sobre os costumes atrasados e machistas da  sociedade afegã.

Enquanto isso, bons costumes,  ideias avançadas e diferenciadas,  incorporaram-se à consciência coletiva da nação judaica. As mulheres judaicas sempre tiveram valor, em comparação com suas contemporâneas de outras nações. Sempre foram consideradas guardiãs da tradição, e lhes coube, no decorrer da história, muito mais do que em outras sociedades, a formação do caráter das crianças, por aconselhamentos e exemplos. Orientando-se, assim, em sua maioria, pelas palavras de Provérbios 14:1: “Toda mulher sábia edifica sua casa; a insensata, porém, com suas mãos a derruba”.

Na fase inicial da vida, na formação do caráter do homem, a mulher judia incute nos filhos os valores, as tradições, os costumes, os mandamentos de Jeová, enfim os preceitos da Torah. Conscientizam-se os judeus, desde novinhos, que todo comportamento humano gera consequências. O povo judeu devoto obedece a 613 preceitos  da Torah – o Pentateuco da Bíblia cristã (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio).  Essa obediência proporcionará uma vida de paz com Deus e, consequentemente, de proteção e bênçãos.

Essa cultura teve reflexos na vida dos cristãos autênticos – e ainda deveria refletir-se muito mais! – pois o viver dos seguidores de Jesus não pode ser dissociado dos valores morais judaicos. O cristianismo está assentado em preceitos da Bíblia, que inclui o Novo Testamento (29 livros) e Velho Testamento (39 livros), sendo estes últimos livros sagrados do judaísmo.

Constata-se a grande influência exercida pelos costumes judaicos na ética cristã, no que tange à valorização do papel da mulher na sociedade. Há 3.400 anos, Miriam, irmã de Moisés e Arão, era uma das líderes do povo  judeu; uns 60 anos depois disso, Acsa, filha de Caleb, reivindicava  terras com boa aguadas para si e seu marido; as cinco filhas de Zelofeade pleitearam para elas, na divisão das terras de Israel, a parte que caberia a seu falecido pai e obtiveram êxito.

Nos tempos modernos, permanece indelével em  nossa memória a figura de Golda Meir, que, na guerra de Yom Kippur, conflito árabe-israelense, liderou como primeira-ministra sua  pequena nação com mão de ferro e suplantou uma coligação de países árabes.

Atualmente, as jovens judias prestam serviço militar entre 18 e 20 anos. No exército, aprendem a usar metralhadoras UZI e tem um treinamento regular de soldado, porém, quase sempre servem como  secretárias, motoristas e serviços internos.  Contudo, acontece serem guardas em escolas, devidamente armadas.

A mulher ocidental atingiu uma condição única no mundo, no que se refere a direitos e liberdades, e isso se deve em grande parte à  contribuição do judaísmo, de onde se originam  os fundamentos do  cristianismo.

 

A MORTE DA BEBEL: CONSIDERAÇÕES SOBRE A VIDA

A Bebel, quando chegávamos, aproximava-se feliz e logo dava demonstrações de carinho – tão meiga!

A Bia, mais expansiva, até exagera:  se saímos de casa por apenas  meia hora, é tanta demonstração de afeto, tanta alegria quando voltamos, buscando o nosso afago, que somos levados a pensar  que somos muito  importantes   – é muito amor! Só se aquieta depois de acariciarmos, por um longo tempo, a sua cabecinha.

Já a Madona, mais tímida, também demonstra amor, nos  gestos e no olhar. Um pequeno afago deixa-a alegrinha.

A Bebel  foi-se faz 10 meses, destruída por um câncer, que a debilitou pouco a pouco. Morreu tranquila, sofrendo em silêncio; não deu trabalho, além das muitas despesas. Abalava nosso coração vê-la morrer aos poucos, sem nada podermos fazer: completamente inertes,  paralisados pela dor.  Ela, talvez percebendo que logo não mais nos veria, dirigia-nos um olhar triste – um olhar de adeus. Até hoje, quando lembramos o dia de sua morte,  ainda sentimos o vazio de sua presença – uma tristeza tenta nos invadir, mas procuramos pensar noutra coisa. Então, lentamente vai sumindo de nossas  lembranças, integrando-se ao nosso passado.

Por que os cachorros, os melhores amigos do homem, vivem  14 anos no máximo?  As  tartarugas, no entanto, incapazes de qualquer demonstração de afeto, vivem 50 anos, sendo que algumas espécies atingem  180 anos?

Quando tudo parece não ter lógica, se examinarmos detalhadamente, eis que veremos  o pensamento de Deus:  soberano, infalível, sobrepondo-se de maneira esclarecedora.

O Senhor coloca pistas no caminho dos homens para que venham encontrá-lo; e, assim, descubram as grandes verdades.

Em Eclesiastes 7:2, consta a seguinte orientação: “Melhor é ir à casa onde há luto do que à casa onde há banquete; porque naquela se vê o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração”.

Os homens, num funeral, meditam sobre a fugacidade desta vida – como passam rapidamente os dias do homem!

Porém, envolvidos  nos afazeres do dia a dia, logo esquecem; e,  inteiramente alienados, apostam todas as fichas nesta vida, que é passageira, como a bruma da manhã, que logo se desfaz .

Assim, o Senhor fez um animal para ser o melhor amigo do homem: o cão, tornando-o companheiro no lar, nos passeios e nas caçadas. Deu-lhe vida breve, de modo que o  homem ficasse sempre desperto,  esbofeteado de vez em quando pela mais certa de todas as verdades: a morte virá!

Estejamos preparados, aguardando o que é tão natural, e tendo sempre na mente as palavras de Salomão: “Lembra-te também do teu Criador  nos dias de tua mocidade, antes que venham os maus dias em que dirás; não tenho prazer neles”

Como todos os homens comparecerão diante de Deus,  bom será que cada um de nós venha apresentar-se como filho  e, desde já, tenha um viver ajustado aos princípios da Palavra!

Que princípios?  Leia a Bíblia!  Através do profeta Oséias 4:6, o Senhor nos fala: “ O meu povo está sendo destruído,  porque lhe falta o conhecimento”.

HERÓIS

O meu amigo Dario Carmo entregou-me um texto de Lourenço Diaféria,   em quem notou semelhanças com meu estilo de escrever. Tratava o artigo sobre  verdadeiros heróis. Mencionou  como exemplo de herói o Sargento Sílvio, que, passeando com a família pelo [zoológico de Brasília, viu um menino cair num fosso de ariranhas enfurecidas; de imediato, lançou-se nas águas lamacentas  para salvá-lo. Enquanto, erguendo o garoto, colocava-o  no muro, os animais morderam-lhe o corpo todo. Foi socorrido  e levado às pressas ao hospital.  Porém, os muitos ferimentos, contaminados  pela água imunda , agravaram-se  e uma  infecção generalizada  levou-o à morte. Escreveu o articulista: “ Esse sim é um verdadeiro herói, pois, arriscando a própria vida, salvou uma criança; muito diferente desses heróis equestres , como o Duque de Caxias, cujas estátuas de bronze são encontradas em muitas praças  e só servem para o povo urinar nos pedestais”.

Tudo indica que a intenção do jornalista não foi tanto homenagear o heroico sargento Sílvio, pois omitiu até seu sobrenome – Hollembach, e sim muito mais espicaçar os militares, já que escolheu o mais emblemático, um ícone dos militares brasileiros.

Ao primeiro como  homenagem pelo ato admirável, mudaram o nome do zoológico de Brasília, onde se deu o fato, para Jardim Zoológico Sargento Sílvio Hollembach.

Quanto ao segundo, não há quem possa negar seu valor. Além de um soldado honrado,  de inegável  influência  e visão política, fez-se vencedor em diversas insurreições no período imperial, entre as quais a Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul, a Revolução Balaiada, no Maranhão e  outros movimentos . Foi o último comandante das forças da Tríplice Aliança, e após várias batalhas, então com 65 anos, entrou vitorioso em Assunção, terminando assim  a Guerra do Paraguai.

O artigo de Diaféria veio-me às mãos em tempo oportuno, porque já havia cogitado escrever sobre o assunto, no dia em que ouvi o Pedro Bial referir-se aos participantes de um reality show como “nossos heróis”.  Heróis? Qual o motivo de serem classificados como heróis homens  que, na realidade, sobressaíam apenas por seus corpos sarados,  e mulheres por seus  corpos esculturais, de formas abundantes? Nada mais que isso!

Diante de tanto despautério, não se tem espalhado uma ideia errada de heroísmo?

Porventura  o povão, nos tempos atuais,  sabe discernir quais os notáveis heróis brasileiros.

Já ouviram falar de Max Wolf Filho,  herói brasileiro, paranaense de origem judaica, que se tornou lendário na 2ª Guerra Mundial por sua coragem , a ponto de receber das mãos do General Mark Clarck, comandante do 5º Exército Americano,  a  Estrela de Prata, condecoração concedida a soldados de reconhecida bravura? No decorrer da guerra,  quando precisavam de soldados voluntários para buscar feridos e perdidos  na “terra de ninguém”, ele sempre se apresentava. Numa dessas patrulhas foi atingido no peito por uma rajada de metralhadora alemã. Esse sim foi um herói!

Existe outro,  ignorado por todos, contudo um verdadeiro herói: o capitão Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, da Aeronáutica, comandante do PARASAR, serviço de elite de busca e salvamento. Nos anos de chumbo da ditadura, um brigadeiro,  chefe  Estado Maior, convocou-o para alguns atos arbitrários, como explodir o gasômetro, atribuindo a culpa aos comunistas, e ainda prender políticos contrários e indesejáveis, que estavam importunando a ordem então constituída, e lançá-los em alto mar, prática muito comum na ditadura Argentina.  Recusou: “Essa ordem não cumprirei,  o PARASAR não foi criado para esse fim!”. Essas informações saíram na revista Veja daquela  ocasião. Tal recusa custou-lhe muito:  perseguição, discriminação, reforma forçada, cassação etc. Até sua esposa foi compelida a depor, sob tortura psicológica, nos porões da ditadura.

Com  o fim  do período de exceção, recuperou  de seus direitos, porém a  promoção a brigadeiro só chegou, infelizmente,   depois de sua morte.

Graças a militares como esse que, no Brasil, não se descambou para uma matança sanguinolenta; na Argentina, por falta de gente  como o Cap. Sérgio Carvalho, houve um massacre de milhares de pessoas, com maldades inomináveis. No Chile de Augusto Pinochet não foi diferente.

Os militares supracitados, dois sargentos e um capitão, apesar de quase completamente desconhecidos,  são verdadeiros   heróis!

​© 2018 

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Vinde a min vós que estais cansados
e oprimidos e eu vos aliviarei.
Mateus 11:28

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