HISTÓRIAS DE

OUTRAS TERRAS

GAIATOS

Nos meus tempos de menino, lá na 3ª Cia. do 3º Batalhão Rodoviário, em Vacaria-RS, presenciei uma cena que me mostra como o gaiato às vezes se dá mal.

Um recruta fortão,  o Borjão, mecânico, consertando um trator, num descuido, ficou com o pulôver  molhado de gasolina. Acendeu  um cigarro no exato momento em que passavam três moças  a  quem dirigiu um olhar maroto  e cobiçoso, do tipo “gostosonas, o papai aqui está doidão por  vocês!”.

As moças passaram rindo do seu jeito presunçoso, e ele,  com a cara que era só alegria, descuidou-se e a cinza do seu cigarro caiu na roupa,  fazendo dele, da cintura para cima, uma tocha humana.

Saiu correndo, passando pelas moças, em direção a uma lagoa próxima. Felizmente, 50 m adiante, conseguiu  desvencilhar-se das roupas e, por sorte, ficou apenas levemente chamuscado.

Muitos anos depois, já em Canavieiras-BA,  no salão do Aeroclube, noite de carnaval, o Mirando,  funcionário público, sujeito em que não havia mais espaço para presunção, já devidamente encharcado de cerveja,  para  curar sua azia,  conseguiu um sonrisal.  Diante de todos, jogou o comprimido na boca, acompanhado de um farto gole de cerveja.  O comprimido entalou na sua garganta. Por sorte, os amigos acudiram e, só depois de muitas pancadas nas costas, desentalaram o comprido e o livraram do borbulhaço que já o sufocava.

Uma ocorrência recente mais uma vez provou-me que o gaiato sempre é motivo de risos.

Minha filha é professora,  atividade  que exerce com muito amor e dedicação missionária. Além de professora, é conselheira, pregadora do evangelho e  confidente.

Certo dia, ensinando aos alunos o que é uma expressão idiomática, valeu-se de uma expressão gaúcha: ”Está fazendo um frio de renguear o cusco”.

Antes de explicar o significado da expressão, um  aluno gaiato antecipou-se:

– Professora, em uma viagem a São Paulo,  senti tanto frio que meu cusco estava assim:  mostrou a mão como se segurasse uma vela, bem apertadinha.

Toda a classe riu muito.

Então  ela esclareceu  que renguear significa ficar manco, coxo; e que cusco significa cachorro.

Aí a risada foi maior.

Foi motivo de gozação por várias semanas!

Quando fazia frio, a molecada dizia: “Mané, com esse frio o seu cusco deve estar bem apertadinho!”.

Observação: Todos os nomes são fictícios, porém  as histórias, verídicas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

RIO ARAGUAIA – A praia dos goianos: banhos, pescarias, bares na água, churrascos, bebedeiras, lanchas, jet ski, música à noite.

 

PESCARIA NO ARAGUAIA                                   

Como todo goiano adora fazer, um grupo de amigos de Uruaçu-Go organizou uma pescaria no Rio Araguaia. No dia aprazado, os amigos, acompanhados de suas famílias, para lá seguiram com a tralha completa de pescador. Encheram um caminhão com barracas, guarda-sóis, redes, mantimentos para uma temporada e apetrechos diversos.    Como convidadas foram duas enfermeiras do PSF, que seguiram em carro próprio e ficariam até o domingo.

Ao ver as moças, um tio solteiro grudou os olhos e perturbou-as com gracejos contínuos:

– Sempre tive uma fantasia com enfermeiras! Acho que vou realizar o sonho nessa pescaria!

Lá na praia, nas primeiras horas, encheu a paciência! Por sorte, após o almoço já estava embriagado. O motorista do caminhão carregou-o e deitou-o na barraca, montada à sombra das árvores.

Prevendo que teriam dias difíceis, as enfermeiras engendraram um plano: quebraram um ovo, separaram a clara e, afastando um pouco o calção do bêbado, lançaram a clara toda no cofrinho do dito.

Acordou lá pelas 4 horas e percebeu que estava todo sujo, com uma estranha gosma escorrendo pelas nádegas. Ficou meio desconfiado e perguntou:

– Quem me levou até a barraca?

– Foi o motorista do caminhão, antes de retornar.

Passou os demais dias sem beber, causando estranheza a todos.

Permaneceu desconfiado, calado, deprimido, sem ânimo para pescar ou banhar-se nas praias do rio.

No domingo, minutos antes de irem embora, as enfermeiras relataram ao amigo que as tinha convidado o trote que aplicaram no engraçadinho. Só deveria falar, quando estivessem bem longe.

No final daquele dia, nas proximidades da fogueira, o deprimido soube do  ocorrido.

A vítima pôs-se a rir e falou:

– Que sacanagem fizeram comigo! Contudo estou feliz! Perdi a metade da pescaria, mas não perdi a virgindade!

 

Nota:  Contou-me essa história o meu amigo Charles A.Lima

 

ÍNDIOS APRECIADORES DO BELO

Vários “respeitáveis” empresários  de Goiânia combinaram uma pescaria no Rio Araguaia.     Não levariam as famílias, ao contrário do que sempre faziam, porque, segundo eles, não haveria qualquer tipo de lazer. Dedicar-se-iam inteiramente à pesca em local novo, ainda inexplorado.

Nas férias escolares de julho, se o novo local não oferecesse perigo, levariam as esposas e filhos.

Lá chegando, escolheram para acampar uma praia no Rio Araguaia, em uma ilha, nas imediações da desembocadura do Rio Cristalino, onde havia muitos lagos e abundância de peixes.

Cada pescador levou como acompanhante uma garota de programa, facilmente encontráveis na capital, havendo dias em que o Diário da Manhã, na seção de classificados, oferece mais de 200. Muita variedade: de estudante alta, linda e loura a moreninha de cabelos longos, olhos asiáticos, tipo mignon etc.

Os índios de uma aldeia próxima, quando viram aquela fartura de moça bonita, passavam o dia no acampamento. Ajudavam a montar barracas, auxiliavam na limpeza, faziam o fogo para o churrasco e traziam presentes: ora peixes, ora frutos etc.

Os índios participavam dos jogos de vôlei toda tarde, entusiasmados, alegrinhos!

Empenhavam-se para seus times vencerem, para bem aparecerem diante das moças lindas, de corpos esculturais e biquínis bem reduzidos.

Um dia chegaram bem cedo e surpreenderam as meninas no maior amasso com os velhotes, dos quais pensavam serem filhas. Estranho costume do homem branco!

Por não entenderem nada, indagaram o que era aquilo. Um pescador esclareceu:

– Não são filhas, são garotas de programa!

Em face do ar de dúvida dos índios, concluiu:

– São putas, putinhas!

Meses depois, nas férias de julho, os pescadores voltaram com as suas famílias.

Os índios apareceram uma só vez e sumiram.

Na semana seguinte, encontraram um índio e perguntaram por que não mais visitaram o acampamento.

Com cara de desdém, meneando a cabeça, respondeu:

– Desta vez vocês trouxeram umas putas velhas e gordas!

Nota: – Ouvi essa história em uma pescaria no rio Crixás, não me lembro se contada pelo Roberto Barbosa, amigo, pescador e cozinheiro excelente  ou outra pessoa.

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Vinde a min vós que estais cansados
e oprimidos e eu vos aliviarei.
Mateus 11:28

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