HISTÓRIAS DE

ANÁPOLIS-GO

Fotos de Anápolis-Go
/esquerda p/direita

1-Vista parcial do bairro Jundiaí; 2- Parque Ipiranga; 3- Brasil Park Shopping; 4-Vista parcial bairro Jundiaí e parque Ipiranga;  5-Parque da Liberdade; 6-Anashopping; 7- Parque Central; 8- DAIA – Distrito Agro Industrial de Anápolis; 9- Unievangélica; 10- Faculdades Anhanguera; 11- UEG-Universidade Estadual de Goiás, em Anápolis.

Fotos de Anápolis-Go
/esquerda p/direita

1-TEUTO-Indústria Farmacêutica; 2- Igreja Assembleia de Deus – Min. De Anápolis; 3 – Faculdade FIBRA; 4-Assembleia de Deus – Ministério Madureira; 5- NEO QUÍMICA – Ind. Farmacêutica; 6-Igreja do Evangelho Quadrangular;  7- Faculdade Raízes

COMO CONVENCE UMA BOA CONVERSA!

 

O Túlio era um colega de banco, pequeno, magro e, segundo a voz corrente, um sovina incomparável. Aproximou-se de minha mesa certo dia e, farfalhando a sua calça, foi dizendo:

_ Danilo, observe minha calça, como ainda me cai bem! É de nycron, comprei faz 25 anos! Sabe o que isso prova?

_ Claro! Prova que sua fama de pão-duro é merecida!

_ Não! Prova que estou com o mesmo físico enxuto e saudável de quando entrei no banco!

O supracitado era metido a político e sempre se candidatava a vereador. Nunca venceu, conseguindo, quando muito, 250 votos. Contudo, a política era sua paixão, o seu assunto de todos os momentos.

Naquele tempo, eu lia jornal diariamente; podia ser considerado bem informado: sabia das idas e vindas da política. Isso o atraía a mim como mosca ao mel.

Numa tarde, achegou-se à minha mesa e, ainda magoado com a cacetada da última eleição, pôs-se a lamentar, muito revoltado, as recentes mudanças do quadro partidário:

_ Danilo, sabe das últimas notícias? O Jocélio e o João Canhedo que, durante toda a gestão do prefeito anterior, foram adversários do Adhemar, agora, com a vitória deste, já se bandearam, trocando seus votos na câmara por cargos! Já não há mais moral na política! A ética foi para o espaço! É muita falta de vergonha!

Enquanto examinava os relatórios de fiscalização, sentado, de cabeça baixa, fui falando:

_ Túlio, é natural que, após um embate eleitoral, as forças vitoriosas se agrupem. As coalizões partidárias são normais em democracia; trata-se de fato comum no mundo civilizado. O executivo precisa de maioria, em todos os níveis: no federal, no estadual e no municipal. Sem isso é impossível a governabilidade. Sem uma base parlamentar, as leis procedentes do executivo não são aprovadas. A atuação do governo fica emperrada, pois até a lei orçamentária não passa. O mais lógico é que o prefeito eleito busque governar sem sobressaltos. É a atitude mais normal!  Suponhamos que eu fosse eleito prefeito de Anápolis por um partido e você, vereador por outro. Após a eleição, ao perceber que não teria maioria na câmara, tentaria formar uma base parlamentar sólida. Para esse fim, teria de abdicar de alguns projetos partidários e, dentro de um programa mínimo de governo, negociado com os demais partidos, dividindo a gestão, idealizaria um plano de governo. Se lhe dissesse: ”Túlio, preciso de maioria na câmara e, além disso, de um secretariado honesto e com boa capacidade de gerenciamento. Como você conhece a correção que luto para imprimir em todos os meus atos e vejo em você idênticas qualidades, quero contar com seu auxílio para governar Anápolis! Preciso de seus conhecimentos de economista; por isso reservei-lhe a Secretaria de Finanças; e vou necessitar também de sua esposa, D. Aparecida, que também é economista, para uma das diretorias da Paviana. Posso contar com sua ajuda?”.

Quando olhei para cima, o neguinho ostentava um sorriso de orelha a orelha, só em se imaginar usufruindo as delícias do poder.

NOTA:- “Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados.” (Aparício Torelly)

 

O DESTINO      

 Em Anápolis, muitas pessoas aguardavam na sala do oftalmologista, quando a atendente gritou:

– Paula Roberta! É a sua vez, pode entrar!

Uma jovem e um rapaz se aproximaram do balcão. O rapaz falou:

– Moça, houve um engano: meu nome é Paulo Roberto!

A jovem, então, declarou:

– Não há engano! É minha vez, pois meu nome é Paula Roberta!

Riram da coincidência e ali se iniciou uma amizade. Ela era morena, alta, esguia, simpática e bela. Ele, um rapaz alto, atlético, de olhos verdes, detentor de um sorriso cativante. A amizade transformou-se num namoro. O rapaz trabalhava no Banco do Brasil, então um emprego bem remunerado e seguro.

O pai da moça, quando soube, ficou possuído de um indisfarçável contentamento. O relacionamento prosperou; logo veio o noivado e, meses após, quando a jovem concluiu o ensino médio, realizou-se o casamento.

O pai, quando conduziu a filha ao altar, esbanjava alegria.

O Paulo Roberto tinha ligações na administração central do banco, de modo que facilmente conseguia adições nas agências que tinham carência de funcionários. Como funcionário adido, recebia salário e diárias. As diárias quase superavam o próprio salário.

Quando adquiriu um carro a prestação e precisou do aval do sogro, foi prontamente atendido.

O rapaz deveria, face  seus ganhos, viver com folga financeira. Contudo tal não acontecia, pois o dito, caso ganhasse 100, gastava 150.  Totalmente descontrolado.

O sogro, proprietário e motorista de caminhão, quando começou a pagar as prestações do carro avalizado, subia pelas paredes, tanta era a raiva. Percebera, assim, que o parecia ser uma benção, era uma tremenda roubada.

O genro e o sogro se incompatibilizaram, ficando bem difícil o relacionamento. Para evitar atritos, aquele se transferiu com a família para uma metrópole.

Tempos depois, recebeu um telefonema:

– Meu sogro, por favor, conceda-me com um empréstimo, pois a família está passando necessidades, às vezes não tem nem o que comer!

– O que eu quero mesmo é que você morra de fome, seu cachorro!

– O senhor não entendeu! Falei que a minha família está passando fome, sua filha e seus netos!  Eu almoço na cantina da agência central, diariamente!

OBS.: Fatos verdadeiros; nome fictícios.

ESTAVA INDO TÃO BEM!

Quando participava de um curso de aperfeiçoamento de direito na cidade de Goiânia; de lá regressava  para Anápolis, lá pelas 23 horas.

Certo dia, vi ao longe, em frente à polícia rodoviária, um PM que acenava, pedindo carona.

Um companheiro de viagem seria ótimo, pois estava um pouco cansado. Uma boa conversa me despertaria.  Contudo, num breve momento, passaram por minha mente as atrocidades cometidas por policiais militares: a chacina da Candelária, a matança de Vigário Geral, o morticínio do Carandiru, os acontecimentos da Vila Arsenal…

Vacilei por uns momentos. Depois pensei: “Pela falha de uns, não se deve  julgar mal uma corporação militar inteira!”

Então parei e dei carona. O soldado revelou-se um bom companheiro de viagem.          Expressava-se num português correto. As suas colocações indicavam ser uma pessoa bem articulada, ciente dos fatos da atualidade. Estava causando boa impressão.

Então perguntei:

– Everaldo, percebi  que você se expressa muito bem, tem conhecimentos! Por que não faz um concurso na polícia para conseguir cargos  mais altos!

– Infelizmente, eu não posso! Fiquei marcado na corporação, não posso fazer concurso para sargento ou outros!

Fiquei pensativo, e ele continuou:

– Quando estamos num enfrentamento com bandidos, os nervos ficam à flor da pele! Num tiroteio, quando vi um bandido atirar num companheiro, fazendo-o sangrar, fiquei transtornado! Mandei bala pra valer no meliante, matando-o. A corregedoria entendeu ter havido excesso de minha parte, de modo que fiquei visado.

Entendi suas explicações, pois qualquer um ficaria perturbado, ao ver um companheiro atingido.

Conversa vai e conversa vem, então comentei recentes acontecimentos noticiados pela TV. Um policial militar, em frente às câmeras, havia assassinado um ladrãozinho. Para mim foi um absurdo.

De certo modo, concordou comigo:

– Eu também assisti aquela burrice! Nunca vi maior absurdo!Ele podia ter  matado o  pivete longe das câmeras!

Obs.: Fatos verdadeiros, nomes fictícios.

 

O ENGRAVATADO

Só uso terno e gravata à noite, e isso em festividades especiais. Quando sou testemunha, participo das cerimônias de casamento devidamente vestido, de terno e gravata. Se apenas convidado, sigo para a cerimônia bem composto, nunca de camisa de mangas curtas.

Há poucos dias, para um casamento às 10:00 horas da manhã, em pleno verão,  fase do ano onde é comum um sol de rachar mamona,  o noivo fez chegar aos convidados a informação de que os queria de terno e gravata.

Por uns momentos pensei em participar do meu jeito, mas, houve uma chuvarada, a temperatura caiu. Resolvi, então, face à friagem, atender o noivo.

Isso tudo, porém, foi proveitoso, pois me veio à mente uma história engraçada, da qual havia esquecido.

Na década de 1950, vivia em Anápolis o Sr. Youssef Abdallah, um descendente de sírio muito presunçoso. Era proprietário de um posto de combustíveis.  Não era um negócio de vulto, mas o tal já evidenciava a empáfia do grande empresário que viria a ser. Soberba e orgulho não lhe faltavam.

Reformou o escritório do posto,  adquiriu um mobiliário de fino gosto, inclusive para a antessala, onde atendia uma secretária.

Deu ordens à mesma:

– A partir de hoje, só dê acesso à minha sala a quem estiver devidamente vestido, e com gravata!

Em 1956, quando Gamal Nasser, presidente do Egito, determinou o fechamento do Canal de Suez, o abastecimento de petróleo ficou prejudicado, pois, por uns tempos, teria de ser usada uma rota mais longa, contornando o continente africano.  Ocorreu então no mundo todo, inclusive em Anápolis, uma temporária escassez de combustíveis. A disputa por aumento de cotas era intensa.

Como era um cliente preferencial, um representante da Texaco veio a Anápolis, logo procurando o Sr. Youssef.

Ao chegar ao escritório, disse à secretária que queria falar com o Sr. Youssef.

A secretária informou:

– Tenho ordens para mandar entrar apenas os que estiverem vestidos de maneira formal, de gravata!

– A senhorita, por favor, diga ao seu patrão que o representante da Texaco aqui esteve para oferecer-lhe um aumento da cota de combustíveis. Se tiver interesse, procure-me no hotel do centro, ainda hoje.

Quando soube do ocorrido, aborreceu-se, mas a estapafúrdia ordem havia partido dele.

Após o almoço, seguiu para o hotel. Foi encaminhado pela portaria até ao apartamento do vendedor.

Este abriu a porta, peladão. Dirigiram-se à mesa, onde foi tirado o pedido. O empresário, contudo, deve ter ficado satisfeito, pois o vendedor, embora estivesse inteiramente nu, tinha no pescoço uma linda gravata.

 

 

A  INDIGNAÇÃO DO NÃO COMPANHEIRO!

A isquemia paralisou-me parcialmente o lado direito do corpo.  Em virtude disso não mais dirijo. Até poderia tirar carteira de motorista, porém  conclui que, apenas com os movimentos do lado esquerdo,  não disporia de plena e necessária habilidade  para bem dirigir. Seria um risco para o trânsito.

 

Essa deficiência  torna-me sempre um  caroneiro:  inúmeros irmãos da igreja me conduzem até minha casa.

No trajeto, a conversa é variada, principalmente a nauseante política atual.

Dias atrás, o Marcão ofereceu-me carona.  Conversamos muito:  operação “lava jato”,  corrupção generalizada,  petrolão, delação premiada, aparelhamento político em todos os poderes da república, magistrados praticamente atuando como advogados de defesa  etc.

De repente falei:  “Marcão, um cara que eu admiro é o  Lewandowski!”.

O seu semblante  mudou, a expressão do seu olhar ficou carregada. Havia indignação em seu olhar!

– Lewandovski??!!  Por que?

–  Entrou no segundo tempo e fez 5 gols em apenas 9 minutos. O seu time, o Bayern, que estava perdendo, acabou vencendo  o Wolfsburg  por 5 a 1.  É um grande artilheiro!

O semblante do Marcão ficou aliviado!

O SORRISO MATREIRO

Em meados da década de 80, Pablo Escobar chefiava o cartel de Medellin, tendo o colombiano uma imensa rede de distribuição de cocaína, disseminada por vários países. Era o mais poderoso narcotraficante do mundo.

Naquele tempo, atuavam na política anapolina dois cidadãos: o Dr. Mauriti Escobar, vereador e médico, e José Escobar, também vereador.

Certa tarde, o Dr. Mauriti conversava e bebia um cafezinho na cantina do Banco do Brasil.

Em dado momento, perguntei:

-Vocês dois são parentes?

– Não, somos de famílias diferentes. Meus familiares vieram da Espanha e localizaram-se  no Triângulo Mineiro, na região de Uberaba.

E completou com um sorriso bem malandro:

– Já o José é de outra família. Os seus parentes, se não me engano, são ou das Guianas, ou Venezuela ou de um país ali por perto!

Não afirmou nada, porém o seu sorriso disse tudo.

 

MEU GAROTO!

Num certo sábado à tarde, fomos pescar: eu,  meu filho Cristiano, o Leon e Jean, seu filho.

Acomodamo-nos no jipe e, por uma estrada de terra, nos dirigimos ao Rio das Antas, nas proximidades do encontro com o Rio Corumbá.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Todos munidos de caniços, exceto o Jean, que portava uma espingarda cartucheira, pois pretendia caçar.

Molhamos minhoca a tarde toda e não pescamos um só peixe; o Jean, pela quantidade de tiros que deu, pareceu-nos que teria  sucesso, mas não matou nada.

No caminho de volta, houve uma ocorrência que me faz lembrar com satisfação daquele dia. O Jean (19 anos) estava com uma barba bem crescida, que apresentava tonalidades diversas, variando do louro dourado ao louro avermelhado, terminando em pontas escuras.

Todo orgulhoso de sua barbicha, perguntou ao Cristiano:

_ Por que você não deixa crescer a barba?

_ Jean, até tentei, mas em mim não fica bem, a barba é muito rala!

O Jean, então, com um riso zombeteiro:

_ Passa merda de galinha preta, que é um santo remédio! Ah! Ah! Ah!

_ Pode até ser! – Disse o Cristiano e, olhando para a barba do gozador, concluiu:

_ Mas a cor fica tão esquisita!

SURPRESA! 

O casal participou de um encontro promovido pela Igreja. A finalidade era repassar palavras baseadas na Bíblia, a fim de abrir os olhos para os cuidados que cada um deve ter com o cônjuge. O que fazer para agradar o companheiro, motivá-lo, amá-lo, e assim deixá-lo feliz.

O grande mal de nossos dias é o pensamento de “casar para ser feliz”.

O princípio da Palavra é dar para depois receber, ou seja, plantar para depois colher.

Geralmente os casais não têm esse entendimento.

Assim, se alguém quer amor, plante amor! Se alguém deseja carinho, plante carinho! Se a necessidade for respeito, plante respeito! O casamento deve ser encarado como uma planta que requer cuidados diários: o adubo de um abraço meigo, a água refrescante de um sorriso apaixonado, o defensivo diário de um beijo terno etc.

Nunca se esquecer de afastar do lar a rotina enfadonha! Surpreender o cônjuge com um presente inesperado! Não se pode nem avaliar os grandes benefícios de um presente inusitado, fora de tempo! Ter criatividade e sair da modorra costumeira – segredo de horas prazerosas!

O Pacheco ouviu atentamente e, no dia seguinte, falou:

– Fique preparada, perfume-se e ponha a sua melhor camisola, pois hoje vou surpreender. Você nunca vai esquecer!

Durante todo o dia a mulher passou ansiosa: ora sonhava com um anel com um diamante; depois com um colar de ouro. Uma alegria contagiante, sorrindo para as paredes.

De noite refestelou-se na cama, toda charmosa, aguardando o momento tão esperado! O Pacheco estava no banheiro. Demorando demais! Depois de um longo tempo, ele apareceu na porta. E a grande surpresa: nuzinho, sorridente, com o pinto em riste, adornado na ponta com um lindo e imenso laço de fita vermelha!

A mulher rodou a baiana e, enraivecida, deu-lhe a maior esculhambação! Saiu do sério. Só a insistente intervenção de amigos conseguiu demovê-la de uma separação! Com certeza, nunca se esqueceu da surpresa!

Isso que é difícil, as mulheres nem sempre conseguem perceber as boas intenções do homem amado!

 

“O homem é um animal que pensa; a mulher, um animal que pensa o contrário ” Aparício Torelly

 

QUE PALAVRAS!

Em novembro de 2001, sofri um AVCI; essa isquemia deixou-me por uns meses na cadeira de rodas, em face de uma hemiplegia, que paralisou o lado direito do corpo. A voz embrulhada e incompreensível deixou-me aos cuidados de uma fonoaudióloga por vários meses. Com o passar dos meses, a minha voz ficou quase normal; e, depois de muita fisioterapia, passei a andar, de modo que tenho uma vida normal. Nunca fiquei com o ânimo abatido, pois nunca me faltou a certeza de que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”. Fiquei mais humilde. Tornei-me mais próximo do Senhor, podendo repetir as palavras do Rei Davi, no salmo 119: “67-Antes de ser afligido, eu me extraviava, mas agora guardo a tua palavra” e “71- Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos”.

Nunca entreguei os pontos, esforçando-me para ter uma vida normal.

Muitos, porém, por não pesarem as palavras, poderiam ter-me derrubado.

Meses após o AVCI, no regresso de uma das minhas viagens, enquanto aguardava o carro no desembarque da rodoviária, um taxista olhou-me de modo condoído e falou: “Meu pai também teve esse mal, mas o senhor não se preocupe, pois ele viveu ainda um tempão, cinco anos!”.

Só fiquei reparando a cara do sujeito – será que está me gozando!

Dias depois, enquanto esperava minha filha,  no centro da cidade, recostado na sombra, aproximou-se um vendedor, e pelo jeito detectou em mim possibilidade de negócio, pois foi dizendo: “O senhor não está interessado num seguro da ANAPAX? A mensalidade é baixa. São garantidas todas as despesas de um funeral: terreno no cemitério, caixão, flores, castiçais, local do velório, assistência para eliminar todos os entraves, e também, se necessário, aplicação de formol!”.

Fixei o olhar no sujeito, e muito embora tenha pensado “Não estou  interessado, seu filho-de-uma-jega!”, apenas disse não.

Nos anos anteriores ao AVCI sofrido, tinha uma grande quantidade de seguros de vida, de modo que resolvi reduzi-los, pois os gastos estavam altos; e, de certo modo, era uma falta de fé: estava apostando  mais na morte do que na vida.

Como sempre acontece, recebi a visita de um corretor da seguradora, que, examinando sua papelada, notou o cancelamento de vários seguros e,  vendo-me hemiplégico,  falou: “O senhor cancelou algumas apólices! Logo agora?!”.

 

PAI  PSICANALISTA

Governou  e dominou a política do Pará após a revolução de 1930, ora como interventor,  governador ou chefe político, por mais de 20 anos, o General Magalhães Barata.

Segundo diziam,  não era um homem de cultura refinada, porém, inteligente, de raciocínio rápido, muito perspicaz.

Em certo dia, chegou ao seu conhecimento, através da turma do puxa-tapete, que o sobrinho de um secretário de estado havia subido em um  tamborete, nas imediações do mercado Ver-o-Peso e, num discurso apaixonado, mandara lenha na pessoa do governador e em seu governo.

Como o rapaz exercia um cargo de confiança no gabinete do tio, chamou o secretário para explicações.

– Sr. governador, não leve em consideração, o jovem é um louco!

– Louco?

– Sim, louco!

– Você já o viu  rasgar dinheiro?

– Não!

– Ele bate na mãe?

– Não!

– Já foi surpreendido comendo merda?

– Não!

– Então ele não é doido de maneira nenhuma! Demita o filho-de-uma-égua!

Essa história me veio à mente, num determinado dia, quando uma filha, então adolescente, falou com certa preocupação: “ Por examinar atitudes estranhíssimas  em algumas pessoas do meu convívio na igreja e na escola, pelo que ouço e vejo, parece que sou a única a constatar tais  estranhezas, penso as vezes que eu é que sou a meio louca! O que o senhor acha?”.

(Quando adolescente, eu também, por algumas vezes, também assim pensava!)

Pensei um pouco e disse:

– Vamos fazer um teste! Você já rasgou dinheiro?

– Não!

– Mas já teve vontade de rasgar?

– Não!

– Você já comeu cocô ou teve vontade de comer?

– Não!

– Já bateu na sua mãe?

– Não!

– Mas já teve vontade de bater?

– …( um longo silêncio)

Antes que ficasse cismada, pois adolescente encuca facilmente, intervi:

– Se for um apenas pensamento momentâneo, não é indício de loucura! Tem que ser uma vontade obsessiva!

Aí ela sorriu, aliviada!

“Se você acha que está maluco é porque não está. Mas, se você acha que todo o mundo está maluco, então está”  (Millôr Fernandes)

 

EXPULSANDO DEMÔNIOS

No início da caminhada cristã, na década de 80, a irmã Marinês tomou conhecimento de que os cristãos têm autoridade para expulsar demônios.

Presenciara algumas libertações, quando líderes da igreja determinavam  cura em nome de Jesus. Muitas pessoas eram curadas. Outras recebiam o livramento dos males, contudo, antes caíam pelo chão, retorcendo-se e com a boca espumando, completamente possessas por estranhas entidades. Os pastores, então, com a palavra firme, exigiam em nome de Jesus, com admirável autoridade, que aqueles demônios saíssem. Assim muitas pessoas ficavam livres.

Depois, na continuidade do culto, explicavam aos seus discípulos que o poder não era só deles. Não era um dom, uma dádiva concedida só a pastores. Tratava-se de poder delegado por Jesus, antes de sua ascensão, a todos cristãos, conforme o capítulo 16, versículos 15 a 18, do evangelho segundo S. Marcos: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. E estes sinaisacompanharão os que creem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas (glossolalia); pegarão serpentes (simbologia do diabo e seus anjos); e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e serão curados”.

A irmã Marinês  tudo ouvia e despertava assim para uma situação desconhecida.  Em pouco tempo aprendera que era uma nova criatura (2 Co 5:17); que o Senhor, por sua imensa misericórdia, apagara  seus pecados(At 3:19); que um anjo ao lado dela se acampava(Sl 34:7); que, se as forças malignas viessem contra ela por um caminho, fugiriam por sete caminhos(Dt 28:7); e havia, ainda, uma certeza indelével que o Senhor a amava e que a considerava  sua filha (Rm 8:14-17).

Assim, nos embalos do primeiro amor por Cristo, em cada culto que participava, aprendia algo novo.

Dias depois, uma vizinha veio chamá-la, pois precisava de seu auxílio, já que uma amiga estava passando mal. Como estava retorcendo-se toda, tremelicando-se, falando palavras desconexas, deduziu que poderia ser ação demoníaca, sendo, portanto, necessária a presença de um crente.  Lembrou-se de que ela era a crente mais próxima e, rapidamente, veio chamá-la.

A Marinês   ficou pensativa: “ Agora a situação ficou complicada. Sou crente, mas não sei expulsar demônios, estou há pouco tempo na igreja!”.

Lembrou-se, porém, de que os pastores diziam que todo cristão poderia, em nome de Jesus, expulsar o maligno.

Acompanhando a vizinha entrou na casa, meio receosa, e impôs a mão na cabeça da possessa e, sem grande convicção, visivelmente tímida, – sem se livrar do pensamento que a incomodava: “A minha fé talvez seja insuficiente”-, determinou: “Em nome de Jesus, saia desse corpo!”. Aquela força maligna fez a mulher retorcer-se, bufando, mas não saiu. Após várias tentativas, o demônio gritou: ”Não saio, não saio, não saio! Não saio mesmo, você usa cabelo curto! Só saio com o Pastor Edmilson!”.

Entraram, então, em contato com o pastor, que residia no bairro. Tão logo chegou, mandou que os demônios saíssem, e eles obedeceram. A mulher ficou liberta.

Esclareceu à irmã Marinês que só não conseguiu expulsar porque deixou transparecer, pela entonação da voz e tímida desenvoltura, que não tinha convicção de sua autoridade.

​© 2018 

daniloorrico.com

 

Vinde a min vós que estais cansados
e oprimidos e eu vos aliviarei.
Mateus 11:28

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